Um projeto “chave na mão” em instalações técnicas não deveria significar simplesmente “nós instalamos e pronto”. Essa frase soa muito bem, mas se não for concretizada, pode ficar um pouco vazia.
Quando uma empresa precisa de melhorar uma instalação, montar um sistema novo, legalizar uma intervenção, reduzir consumos ou coordenar vários trabalhos ao mesmo tempo, o importante não é apenas chegar ao fim. O importante é como se chega lá.
Porque num projeto técnico existem muitas peças: análise prévia, conceção, documentação, execução, coordenação, segurança, colocação em funcionamento e manutenção. Se uma dessas partes for deixada de fora, o projeto pode funcionar ao princípio, mas começar a dar problemas mais tarde.
Por isso, convém saber o que deveria incluir, de facto, um projeto “chave na mão” antes de o aceitar.
Um projeto “chave na mão” começa antes de instalar seja o que for
A parte visível de um projeto costuma ser a instalação: os equipamentos, os trabalhos, os operários, a colocação em funcionamento. Mas, antes de chegar aí, tem de existir uma fase prévia bastante importante.
Se o ponto de partida não for bem revisto, o projeto pode nascer mal planeado. E isso nota-se depois nos custos, prazos, rendimento ou manutenção.
Análise inicial da instalação
O primeiro passo deverá ser entender o que existe atualmente: como funciona a instalação, que problemas apresenta, que utilização real lhe é dada, que limitações existem e que objetivo a empresa pretende alcançar.
Não é a mesma coisa um armazém industrial, um condomínio, um escritório, um espaço comercial ou uma instalação agrícola. Também não é igual melhorar uma instalação existente ou planear uma nova de raiz.
Essa análise inicial permite evitar uma das situações mais habituais: orçamentar uma solução sem ter entendido o problema na sua totalidade.
Revisão das necessidades reais
Às vezes, o cliente acredita que precisa de uma coisa, mas, ao rever a instalação, deteta-se outra. Pode pensar que precisa de trocar um equipamento, quando na verdade o problema está na alimentação elétrica, na manutenção ou num mau dimensionamento.
Também pode acontecer o contrário: parece uma reparação simples, mas o sistema já está demasiado limitado para a utilização atual.
Por isso, antes de projetar o que quer que seja, é preciso separar bem o urgente, o importante e o que a empresa poderá necessitar mais tarde.
Conceção técnica da solução
Um projeto “chave na mão” não deveria ser improvisado durante a execução. Tem de existir uma solução técnica definida, com critério e adaptada ao caso real.
É aqui que se decide o que vai ser feito, como vai ser feito e que pontos é preciso ter controlados.
Uma solução ajustada, não uma solução genérica
Em instalações técnicas, copiar uma solução de um projeto para outro raramente funciona bem. Pode parecer mais rápido, mas cada espaço tem as suas condições.
É necessário ter em conta consumos, horários, cargas de trabalho, acessos, segurança, potência, equipamentos existentes, documentação prévia e possibilidades de manutenção.
Uma boa solução não é necessariamente a maior nem a mais cara. É a que melhor se adapta à instalação e à utilização que vai ter.
Planificação de fases e tempos
A planificação também faz parte do projeto. Numa empresa em funcionamento, nem sempre se pode intervir quando se quer, nem parar a atividade sem consequências.
Por isso, é necessário organizar fases, tempos de execução, possíveis cortes, acessos, chegada de materiais e coordenação com outros trabalhos.
Um projeto pode ser tecnicamente bom, mas se for executado sem ordem, acaba por gerar transtornos, atrasos e decisões tomadas à pressa.
Orçamento claro e âmbito bem definido
Um dos pontos mais importantes de um projeto “chave na mão” é saber exatamente o que inclui. E também o que não inclui.
Muitas confusões surgem porque o cliente recebe um orçamento que parece completo, mas depois descobre que faltavam trâmites, documentação, colocação em funcionamento, ajustes ou manutenção.
O que inclui o orçamento
Um orçamento deve deixar claro que trabalhos vão ser realizados, que materiais ou equipamentos são contemplados, que fases inclui, que documentação é entregue e que tarefas ficam dentro do âmbito.
Também convém rever se inclui visitas técnicas, licenciamento, testes, colocação em funcionamento, formação básica de utilização ou recomendações de manutenção.
Não se trata de tornar o processo mais complicado. Trata-se de o cliente saber o que está a contratar.
O que pode ficar de fora
Também é importante saber o que não está incluído. Podem existir trabalhos adicionais, licenças externas, modificações não previstas, reparações prévias ou intervenções que dependam do estado real da instalação.
Quando isto é explicado desde o início, há menos surpresas. E se surgir um imprevisto durante o projeto, pode ser avaliado com mais clareza.
Documentação, licenças e licenciamento
Em muitas instalações técnicas, a parte documental não é um mero detalhe. Pode condicionar o projeto desde o início.
Licenças, certificados, licenciamento de instalações, memórias técnicas ou documentação de equipamentos podem ser necessários, dependendo do tipo de intervenção.
Não deixar os trâmites para o fim
Um dos erros mais habituais é pensar na documentação quando a instalação já está terminada. Por vezes não acontece nada, mas noutras ocasiões pode gerar atrasos ou até obrigar a modificar algo.
Se o projeto necessitar de licenciamento ou certificados técnicos, o melhor é contemplá-lo desde o design. Assim, a instalação não só funciona, como também fica corretamente planeada e documentada.
Documentação que o cliente deveria receber
Ao finalizar o projeto, o cliente deveria ter claro que documentação lhe é entregue. Pode ser documentação técnica, certificados, garantias, instruções de utilização, plantas, relatórios ou recomendações de manutenção.
Nem sempre será necessário o mesmo, mas deveria ficar tudo organizado.
Uma instalação sem documentação clara pode causar problemas mais tarde, sobretudo quando for necessário revisá-la, ampliá-la ou justificá-la.
Execução coordenada do projeto
A execução é o momento em que tudo o que foi feito anteriormente é posto à prova. Se a análise, a conceção e a planificação estiverem bem feitas, a instalação deverá avançar com mais ordem.
Isso não significa que não possam surgir imprevistos. Em instalações reais, pode sempre acontecer algo. Mas não é a mesma coisa gerir um imprevisto dentro de um projeto ordenado do que ir resolvendo tudo à medida que surgem os problemas.
Coordenação entre equipas e trabalhos
Num projeto técnico podem intervir diferentes perfis: engenharia, instaladores, técnicos de manutenção, fornecedores, pessoal de obra, responsáveis de segurança ou gestores de documentação.
Se não houver coordenação, cada parte pode seguir o seu caminho. E é aí que começam os problemas: atrasos, duplicidades, falta de informação ou soluções que não encaixam entre si.
Um projeto “chave na mão” deveria reduzir essa carga para o cliente.
Controlo durante a execução
Durante os trabalhos, convém verificar se a execução se ajusta ao previsto: se os equipamentos são os adequados, se os trabalhos são realizados corretamente, se as alterações fazem sentido e se não se perde de vista o objetivo inicial.
O acompanhamento não é estar em cima do acontecimento por estar. É assegurar-se de que o projeto não se desvia sem que ninguém se aperceba.
Colocação em funcionamento e verificações finais
Um projeto não termina quando se instala o último equipamento. Antes de o dar por concluído, é necessário verificar se tudo funciona como deve.
A colocação em funcionamento é uma fase fundamental, especialmente em instalações técnicas que vão trabalhar muitas horas, afetar o consumo energético ou fazer parte da atividade diária de uma empresa.
Testes de funcionamento
Antes de encerrar o projeto, deveriam ser realizados testes. Comprovar que os sistemas respondem, que não existem falhas evidentes, que os equipamentos trabalham dentro do previsto e que a instalação está preparada para a sua utilização real.
Em automatismos, por exemplo, seria necessário rever aberturas, sensores e segurança. Em sistemas de bombagem, caudal, pressão e funcionamento. Em instalações energéticas, produção, consumo e ligação. Cada projeto terá as suas próprias verificações.
Explicação básica ao cliente
O cliente também deveria entender como fica a instalação. Não é necessário transformá-lo num técnico, mas sim explicar o essencial: como se utiliza, a que deve estar atento, que sinais podem indicar um problema e quando convém realizar uma revisão.
Uma boa entrega não é apenas dizer “já está terminado”. É deixar o cliente com a instalação a funcionar e com uma ideia clara de como cuidar dela.
Manutenção posterior
Se o projeto termina e ninguém volta a rever a instalação, perde-se uma parte importante do trabalho.
A manutenção nem sempre é incluída em todos os projetos, mas deveria, pelo menos, ser considerada. Sobretudo em sistemas que têm uso diário, componentes mecânicos, equipamentos elétricos, climatização, bombagem, automatismos ou instalações energéticas.
Prevenir antes do que reparar à pressa
Uma instalação pode funcionar bem durante os primeiros meses e começar a dar sinais depois: ruídos, perdas de rendimento, consumos estranhos, pequenas incidências ou falhas intermitentes.
A manutenção preventiva ajuda a detetar esses problemas antes de se converterem numa avaria séria.
Não é a parte mais vistosa do projeto, mas, muitas vezes, é a que permite que a instalação dure mais e funcione melhor.
Plano de revisão de acordo com o uso real
Nem todas as instalações necessitam da mesma manutenção. Depende do uso, das horas de trabalho, do ambiente, da importância do sistema e das consequências que uma paragem teria.
Por isso, um bom projeto “chave na mão” deveria pensar também no depois: o que rever, com que frequência, que pontos são mais sensíveis e que sinais não convém ignorar.
Checklist avançado de um projeto chave na mão
Antes de aceitar um projeto “chave na mão” em instalações técnicas, convém verificar se estas partes estão a ser contempladas.
Projeto chave na mão com a iSoluciones
Na iSoluciones desenvolvemos projetos técnicos com uma visão completa: análise, conceção, execução, coordenação, legalização quando aplicável, colocação em serviço e manutenção posterior, caso a instalação necessite.
A ideia é que o cliente não tenha de juntar peças separadamente nem coordenar cada parte sem ter a noção de como tudo se encaixa. Cada projeto é estudado de acordo com a utilização real da instalação e as necessidades da empresa.
Uma solução completa, mas com sentido
Um projeto chave na mão não tem de ser mais complicado. Tem de estar melhor organizado.
Trata-se de compreender o que a instalação necessita, propor uma solução adequada, executá-la corretamente e deixar definido como será feita a sua manutenção posteriormente.
Do início ao fim, sem perder o controlo
O cliente deve saber em que fase se encontra o projeto, o que está a ser feito e o que ainda falta resolver. Centralizar não significa perder informação. Pelo contrário, deve proporcionar maior clareza.
Se a sua empresa necessita de uma instalação técnica, uma melhoria energética, uma legalização ou uma intervenção que exija coordenação, podemos analisar o seu caso e propor um projeto chave na mão com tudo o que realmente é necessário.

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