Instalar painéis solares numa empresa pode parecer uma decisão bastante clara quando a fatura elétrica é elevada. E muitas vezes é. Mas, antes de avançar com a colocação de painéis numa cobertura, convém fazer uma pausa e rever bem a instalação.
O autoconsumo industrial não consiste apenas em encher uma nave de painéis solares. Tem de ser bem calculado, adaptado ao consumo real da empresa e planeado para que faça sentido a médio e longo prazo. Porque uma instalação fotovoltaica mal dimensionada pode funcionar, sim, mas não ser aproveitada tanto quanto deveria.
Há empresas que consomem muito durante o dia e têm uma cobertura perfeita para produzir a sua própria energia. Outras, pelo contrário, necessitam de estudar melhor os seus horários, os seus picos de consumo, a potência contratada ou até o estado da sua instalação elétrica antes de decidir.
A ideia não é instalar por instalar. A ideia é saber se o autoconsumo encaixa de facto na atividade da empresa.
Autoconsumo industrial: produzir energia onde se consome
O autoconsumo industrial permite que uma empresa produza parte da energia de que necessita através de uma instalação fotovoltaica. Em vez de depender unicamente da rede elétrica, a empresa pode aproveitar a energia solar gerada nas suas próprias instalações.
Isto pode aplicar-se a naves industriais, fábricas, armazéns, centros logísticos, estabelecimentos comerciais, explorações agrícolas, comunidades energéticas ou edifícios empresariais com consumo elétrico relevante.
A vantagem mais evidente é a redução de custos energéticos. Mas não é a única. Também permite ter mais controlo sobre o consumo, reduzir a dependência das variações do preço da energia e avançar para uma instalação mais eficiente.
Nem todas as empresas consomem da mesma forma
Antes de conceber uma instalação de autoconsumo, é necessário entender como a empresa consome energia. Não basta olhar para uma fatura e calcular uma quantidade aproximada de painéis solares.
Há empresas que concentram a sua atividade durante o dia, precisamente quando a instalação fotovoltaica produz mais. Nesses casos, o autoconsumo pode encaixar muito bem. Mas também existem empresas que têm consumos noturnos, picos muito concretos ou períodos de atividade irregular.
Tudo isto influencia o projeto. Uma instalação pensada para uma nave com atividade constante não tem obrigatoriamente de servir da mesma forma para uma empresa com turnos, campanhas sazonais ou maquinaria que funciona apenas em momentos determinados.
A cobertura não é tudo
Ter uma cobertura grande ajuda, claro. Mas não é o único fator. Também é preciso rever a orientação, as sombras, o estado da estrutura, a superfície útil, a inclinação e as condições da instalação elétrica.
Por vezes, uma cobertura parece perfeita vista de fora, mas surgem limitações técnicas. E outras vezes acontece o contrário: uma empresa pensa que não tem tanta margem e, ao estudar o caso, detetam-se opções interessantes.
É por isso que a análise prévia é tão importante. Evita erros e permite propor uma instalação realista.
O que verificar antes de instalar painéis solares numa empresa
Uma instalação fotovoltaica deve ser projetada com dados, não com suposições. Antes de instalar painéis solares, convém verificar vários aspetos para saber se o projeto faz sentido e como deve ser estruturado.
O consumo elétrico, os horários de atividade, a potência contratada, o espaço disponível, o estado da instalação e as eventuais necessidades futuras são pontos que não deveriam ser ignorados.
Consumos e horários de atividade
O primeiro passo é verificar quando é que a empresa consome energia. Não apenas quanto consome no total.
Uma empresa pode ter um consumo anual elevado, mas se grande parte desse consumo ocorrer durante a noite, a instalação fotovoltaica terá de ser estudada de outra forma. Pelo contrário, se a atividade se concentrar durante as horas de sol, o aproveitamento pode ser muito maior.
Convém também verificar se existem picos de consumo, se existem períodos de baixa atividade, se a empresa trabalha aos fins de semana ou se tem épocas em que o consumo varia significativamente. Todos estes detalhes ajudam a dimensionar melhor a instalação.
Estado da instalação elétrica
Antes de ligar uma instalação fotovoltaica, é preciso verificar se a instalação elétrica da empresa está preparada. Quadros, proteções, cablagem, potência disponível e condições técnicas devem ser verificados com atenção.
Não faz sentido planear uma instalação solar sem olhar primeiro para onde esta se vai integrar. Por vezes, é necessário efetuar ajustes, melhorias ou legalizações prévias para que tudo funcione corretamente e cumpra os requisitos necessários.
Esta parte talvez não seja tão visível como os painéis, mas é fundamental. Uma instalação fotovoltaica não termina na cobertura; tem de funcionar bem dentro do conjunto elétrico da empresa.
Dimensionar corretamente: nem ficar aquém, nem exceder
Um dos pontos mais importantes no autoconsumo industrial é o dimensionamento. Ou seja, calcular qual deve ser a dimensão da instalação.
Uma instalação demasiado pequena pode ficar aquém das necessidades da empresa. Mas uma instalação sobredimensionada também nem sempre é a melhor opção. Mais painéis não significa automaticamente mais rentabilidade.
É necessário procurar um equilíbrio entre consumo, produção, investimento e aproveitamento real da energia gerada.
Aproveitar a energia produzida
O ideal é que a empresa consiga consumir uma boa parte da energia que produz. Quanto mais se aproveita diretamente, mais sentido costuma fazer a instalação.
Por isso, é tão importante cruzar os dados de produção solar com os horários de consumo. Não se trata apenas de produzir muito, mas sim de produzir quando a empresa pode utilizar essa energia.
Em alguns casos, os excedentes podem ser compensados ou vendidos, dependendo da modalidade e das condições do projeto. Mas, ainda assim, o projeto deve procurar que a instalação seja útil para o consumo real da empresa.
Pensar no crescimento futuro
Convém também olhar para o futuro. Talvez a empresa vá expandir a atividade, incorporar nova maquinaria, eletrificar processos ou aumentar turnos. Se isso estiver previsto, pode influenciar o projeto da instalação.
Não se trata de sobredimensionar sem sentido, mas sim de evitar que o projeto nasça já demasiado limitado. Um bom planeamento permite que a instalação se adapte melhor à evolução da empresa.
Automatização industrial e poupança energética
O autoconsumo industrial pode fazer parte de uma estratégia mais abrangente de poupança energética. Mas não deve ser visto como uma medida isolada.
Antes de instalar painéis solares, convém muitas vezes verificar se existem consumos desnecessários, equipamentos pouco eficientes ou instalações que estão a funcionar pior do que deveriam. Se primeiro se reduzir o consumo excessivo, a instalação fotovoltaica pode ser melhor dimensionada.
Ou seja, nem sempre é necessário começar por produzir mais energia. Por vezes, faz mais sentido começar por consumir melhor.
Primeiro entender o consumo, depois produzir energia
Uma empresa pode ter uma fatura elevada por muitos motivos. Pode ser pelo preço da energia, pela potência contratada, por consumos fora de horas, por equipamentos antigos ou por instalações pouco eficientes.
Se isso não for verificado antes, corre-se o risco de instalar painéis solares para cobrir um consumo que talvez pudesse ter sido reduzido. Por isso, o autoconsumo e a eficiência energética devem andar de mãos dadas. Medir, analisar e depois decidir.
Uma instalação mais eficiente e mais controlada
Quando o autoconsumo é bem planeado, a empresa não reduz apenas parte da sua fatura. Ganha também informação sobre como consome, quando consome e que margem tem para melhorar.
Isto ajuda a tomar melhores decisões no futuro. Por exemplo, ajustar horários, rever equipamentos, planear a manutenção ou avaliar novas medidas energéticas.
O objetivo não é apenas ter painéis solares. É ter uma instalação mais controlada e mais coerente com a atividade da empresa.
Baterias solares e excedentes: quando vale a pena estudar essa opção
Em alguns projetos de autoconsumo industrial, pode fazer sentido estudar baterias solares ou a gestão de excedentes. Mas nem sempre são necessárias, nem sempre compensam da mesma forma.
As baterias permitem armazenar a energia produzida durante o dia para a utilizar noutro momento. Isto pode ser interessante se a empresa tiver consumos fora das horas de sol ou se quiser aproveitar melhor a energia gerada.
Os excedentes, por sua vez, surgem quando a instalação produz mais energia do que aquela que é consumida nesse momento.
Baterias solares para aproveitar melhor a produção
As baterias solares podem ajudar a melhorar o aproveitamento da energia produzida, mas é necessário estudar bem o seu custo, a sua capacidade e a sua utilização real.
Nem todas as empresas necessitam de armazenamento. Se o consumo principal ocorre durante o dia, talvez grande parte da energia seja aproveitada diretamente. Pelo contrário, se houver consumos fora desse horário, pode fazer mais sentido analisar esta opção.
A chave está em fazer contas. Como quase sempre.
O que acontece com os excedentes energéticos
Quando uma instalação gera excedentes energéticos, é preciso decidir como geri-los. Dependendo do tipo de instalação, da modalidade de autoconsumo e da legislação aplicável, podem existir diferentes opções.
O importante é ter isso em conta desde o momento da conceção do projeto. Se se previr que haverá excedentes, convém analisar se podem ser compensados, vendidos ou reduzidos através de um dimensionamento mais ajustado.
Instalações fotovoltaicas para empresas com iSoluções
Na iSoluções, estudamos projetos de autoconsumo industrial e instalações fotovoltaicas para empresas, tendo em conta o consumo real, o estado da instalação e as necessidades de cada cliente.
Não projetamos uma instalação apenas em função de quantos painéis cabem numa cobertura. Antes, é necessário verificar dados, consumos, horários, a instalação elétrica e possíveis melhorias prévias. Desta forma, o projeto nasce com mais sentido e evitam-se decisões tomadas às cegas.
Estudo prévio e conceção do projeto
Cada projeto começa com uma análise. É preciso entender como a empresa consome energia, que área disponível possui, que limitações técnicas existem e que objetivo se pretende alcançar.
A partir daí, pode desenhar-se uma instalação adaptada ao caso real. Não uma solução genérica, mas um projeto pensado para a atividade, o consumo e as possibilidades da empresa.
Instalação, legalização e manutenção
Uma instalação fotovoltaica requer também uma execução, legalização e manutenção corretas. Não basta instalar os painéis. É preciso assegurar que tudo fica devidamente ligado, protegido e documentado.
Além disso, a manutenção ajuda a que a instalação continue a funcionar bem com o passar do tempo. Verificar o rendimento, detetar falhas e comprovar que a produção se mantém dentro do esperado é parte importante do projeto.
O autoconsumo industrial pode ser uma excelente oportunidade para muitas empresas, mas convém planear com critério. Primeiro analisa-se. Depois desenha-se. E por fim, instala-se.
Se está a avaliar a instalação de painéis solares na sua empresa, podemos estudar o seu caso e verificar se o autoconsumo faz sentido para a sua instalação.

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